Pense em um filme estranho, daqueles bem esquisitos, mas eu não estou falando de filme de terror, não estou falando de mascaras de fantasmas e nem de monstros nojentos, estou falando do puro psicológico, a tensão que de vez em quando invade nossas cabeças e até que ponto isso pode nos levar. Alguém já parou para pensar nisso? Uma loucura aparente, algo pelo qual ficamos obcecados. Mas não se assuste (Com o que?), esse filme não leva absolutamente nenhum desses assuntos a sério.
Lançado em 2010, dirigido por André Klotzel, Reflexões de um Liquidificador foi dado como Comédia e Fantasia, classificação de 14 anos por conter linguagem chula, morte e exposição de cadáver.
*Primeiro Caso - Comédia: Não entendo essa classificação, não entendo mesmo! Se eu ri? Bastante, mas eu sou estranho e o que me arrancou risadas não foram nenhuma das piadas absolutamente sem graça que saíam da boca dos atores que interpretavam vidas cotidianas (piadas muito comuns em filmes brasileiros, piadas referentes a mulheres, sexo, partes do corpo e excitação e as piadas que saiam das atrizes não a valorizavam, são piadas chulas e de mal gosto), em fim: Não achei graça! O que me atraiu para continuar a assistir o filme até o fim foi o ponto sobrenatural e (fazendo jus a esse tópico) o humor negro! Sim, humor negro, as boas e velhas tiradas de morte e o deboche maravilhoso que se pode extrair dela, mas de forma respeitosa e de ótimo gosto, um humor que combina perfeitamente o cenário de classe média baixa e pobre com o sangue escorrendo e a tensão existente em cada uma das cenas, mas para resumir tudo: Esse é um filme 100% tenso! Absolutamente não é comédia, é um filme que trata sobre o grotesco, a morte e a inteligência humana. Afinal, até onde podemos chegar? O que podemos aguentar? temos estômago suficiente para cumprir com todos os nossos caprichos? Ou simplesmente vivemos como prisioneiros de nós mesmos?
*Segundo Caso - Fantasia: Neste filme conhecemos a história de Elvira (se alguém falar "A rainha das trevas" eu dou um tiro!), uma dona de casa já na casa dos 50, que vê o casamento de extrema longa data cair no desalento quando o marido consegue um emprego de vigia noturno e após quebrar a perna, sem poder se movimentar com facilidade pela alta idade ela volta a seu antigo hobbie (este que aprendeu com seu pai quando menina): Empalhar animais mortos. E é empalhando um coelho branco, sentada no sofá que ela o ouve pela primeira vez: O liquidificador! Isso mesmo o liquidificador, um ser absurdamente emotivo, ingenuo e teimoso que diz que após ser reformado, algo lhe deu consciência. Elvira então pensa que enlouqueceu, mas não, o liquidificador estava vivo e este passou a ser seu companheiro nos momentos sozinha. Qual minha opinião sobre isso? Achei genial! É um elemento inesperado e original, as frases e comparações feitas pelo aparelho são incríveis e extremamente filosóficas (e não são poucas), é um toque sobrenatural de mestre, de forma que eu jamais tinha visto no cinema brasileiro.
*Terceiro Caso - Morte e exposição de Cadáver: E enfim chegamos na parte grotesca (e divertida) da história, desde o começo, vemos o mundo sob os pontos de vista do liquidificador, ele é nosso anfitrião e o narrador da história (se ainda espera que eu dê um exemplo de algo para rir ai está: O Liquidificador é interpretado por Selton Mello ^_~), é pelas palavras dele que conhecemos o mundo de Elvira e todos os acontecimentos que vieram a acontecer, mas sim, falando do tema desse tópico: Como tudo aconteceu? Ou melhor: O que aconteceu? Bem, ela era casada e isso eu já falei (Era!), após o marido (Onofre) conseguir o emprego de vigia noturno, ele ficou mudado e antes de Elvira descobrir que o liquidificador falava ela havia mandado que ele o vendesse, pois então, ela desistiu da venda, mas Onofre mesmo assim o leva e o aparelho vê tudo, vê toda a traição do marido com uma mulher mais jovem e isso enche Elvira de fúria, mas ela só se convence após o liquidificador a guiar até a praia onde estão e ela os vê com os próprios olhos e a partir dai temos uma tensão muito grande no ar e aquela sensação de sangue quente que nos faz estremecer dos pés a cabeça. Elvira então cria o crime perfeito: com uma estaca afiada de metal (um dos instrumentos que usava para empalhar animais) e um sapato de sola dura, ela vai até o quarto, onde Onofre dorme profundamente e posiciona a ponta da estaca no ouvido do marido e com um único golpe da sola do sapato faz a estaca penetrar-lhe a cabeça, matando-o e após isso o arrasta até a cozinha, onde o corta em pedacinhos com um cerrote e com a ajuda de seu fiel cúmplice (O Liquidificador), ela o tritura todo (até os ossos), enquanto dança e canta, comemorando sua vitória na cozinha completamente ensanguentada.ROSAS PARA REFLEXÕES DE UM LIQUIDIFICADOR: 8 rosas vermelhas!!
Até a Próxima!
P.S.: E para aqueles que quiserem assistir ao filme agora, deixo-lhe completo abaixo, não precisam agradecer ^_~.
Bom filme, beijos a todos!


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